PARADELA, uma aldeia que pertence ao concelho de Valpaços, é pequena e tem ao longo do tempo sido desertificada pelos filhos que nela nasceram, rumo a outros locais com outras oportunidades para as suas vidas. Com o tempo mais uma aldeia ao abandono.
Quarta-feira, 1 de Abril de 2009
ALDEIA DE PARADELA

 


Aldeia de PARADELA pertence à freguesia de Santiago R. Alhariz do circulo eleitoral do concelho de Valpaços, tem cerca de 90 habitantes, mas continua a resistir

 

 

Na secular aldeia de Paradela, concelho de Valpaços, restam apenas cerca de 90 ou talvez menos, dos cerca de 200 moradores de há meio século.
Maria nasceu nesta aldeia há quase 70 anos, localidade onde casou, teve oito filhos e de onde nunca saiu. Maria ainda se recorda de quando havia muitas crianças a frequentar a escola primária de Santiago, já que a sua aldeia nunca teve edifício escolar. Actualmente esta escola ainda é  frequentada por algumas crianças, tudo porque prevaleceu a ideia de fechar outras escolas da freguesia e canalizaram todas as crianças para esta escola, senão já teria fechado.
Maria , nunca foi à escola, logo que começou a crescer começou a trabalhar no campo e ainda hoje passa parte dos seus dias a “rebunhar” o quintal lá de casa, aconchega o orçamento e mata a saudade. Para além do seu marido António, ninguém mais vive com Ela, dos oito filhos que teve nenhum deles lhe quis fazer companhia o ano todo, emigraram, foram à procura duma vida melhor, são os vizinhos (já poucos) que lhe fazem companhia. “Aqui lá se vai passando o tempo devagar, conversa-se menos e há sossego a mais”, garante.

Os seus filhos já há muitos anos que emigraram, tal como a maior parte das pessoas que nasceram em Paradela, para países como a França, Suíça, Canadá, América, Luxemburgo, Bélgica , convém lembrar que existe muitos Paradelenses espalhados pelo País: Lisboa, Porto, Coimbra, Santarém e outras terras ou cidades deste Portugal, e aqueles que nos anos trinta ou quarenta, foram para o Brasil e nunca mais voltaram. É no Verão e por vezes no Natal que alguns regressam e trazem “mais alegria, animação e barulho” à aldeia. Maria, 70 anos, diz viver feliz num lugar onde os habitantes são cada vez menos, apenas triste pela lembrança e ausência dos seus filhos e netos e onde muitas habitações, se encontram vazias ou abandonadas.

“Não sinto a solidão, porque durante o dia ando entretida a trabalhar ou no campo ou então com as lides domésticas”, confessa Maria  que diz que é a televisão a principal companhia nas noites frias de Inverno.

Conversas na rua

Quando o tempo aquece os vizinhos saem mais à rua para conversar e ainda há quem vá até à aldeia mais próxima para rever amigos ou tomar um café. A Feira realizada em Carrazedo ou em Valpaços é um dos locais que dá para saciar os mais saudosos e aproveita-se para comprar consumíveis para casa. É que em Paradela não há mercearia, por isso mesmo os bens alimentares são comprados nas carrinhas que se deslocam algumas vezes por semana à aldeia.

Antigamente os campos à volta de Paradela andavam todos “amanhados” com todo tipo de cultura, Maria lembra-se bem da cultura do linho que se fazia nos anos quarenta o centeio e o trigo e alguns rebanhos pastavam pela encosta da fraga, com menos mata que agora. Quem não se lembra dos bois ou das vacas que quase todos tinham, quem não se lembra dos muitos jumentos e das éguas e cavalos “Agora nada disto existe, alguns tractores lá vão amanhando alguma terra. Em Paradela ainda existe alguns “Burros”, vacas nem velas e nós cultivamos apenas aquilo que é preciso para o nosso sustento como batatas, feijão, alface ou cebolas”, contou Maria . “A saúde por aqui não é do melhor, a aldeia tem um ror de pessoas já com alguma idade, mas não nos podemos queixar, estes ares são bons, Muitas vezes são os vizinhos quem “valem” nos “momentos de aflição”, mas Maria diz que as pessoas na aldeia “pouco adoecem”. “As pessoas são resistentes como a paisagem”, afirmou.

A paisagem rodeia a Aldeia de uma forma quase peculiar, dum lado montanha e doutro terra quase quente como dizem por aqui: (TERRA QUENTE) onde se dá tudo. A vista é deslumbrante: encosta ligeiramente inclinada em direcção ao concelho de Valpaços que se perde de vista até Espanha. Paradela tem neste momento à disposição de alguns turistas que queiram descansar e desfrutar dum merecido sossego, uma casa de Turismo Rural com todas as condições e comunidades. Porque não despertar este tipo de actividade e proporcionar aos habitantes das grandes cidades o saber de como é viver numa aldeia quase deserta. Seria bom que pessoas que queiram ter uma segunda habitação, para passarem os seus fins-de-semana mais descansados o façam nestas aldeias, comprando ou restaurando algumas destas casas, nos últimos tempos, existe já exemplos destes em algumas aldeias históricas de Portugal. Essas pessoas passaram a gostar da aldeia, que transformaram e deram mais vida, nem que seja só habitação para as férias.


A.Reis tem 50 anos saiu cedo da terra que o viu nascer (13 anos), e desde aí que nunca deixou de ir a Aldeia ou passar férias ou simplesmente visitar os seus familiares. “Gosto de vir cá de vez em quando mas é mesmo só para descansar e rever velhos amigos e familiares. Aqui anda tudo muito devagar o que há para fazer faz-se hoje ou amanhã não há pressas”. citou.



se quizerem saber o local exato onde fica Paradela carregem neste link:

 

 

http://maps.google.com/maps?f=q&hl=pt-BR&geocode=&time=&date=&ttype=&q=PARADELA+VALPA%C3%87OS&sll=37.0625,-95.677068&sspn=29.992289,58.271484&ie=UTF8&ll=41.59131,-7.524261&spn=0.220823,0.455246&z=11&om=1

 

 

 

 

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publicado por AJREIS às 23:45
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3 comentários:
De riolivre a 11 de Novembro de 2008 às 09:40
Olá amigoReis!

Resistir já é mesmo uma palavra de ordem quando se fala nas nossas aldeias e no seu inexorável despovoamento.
E essa resistência passa não sópor aqueles que persistem em fazer ou refazer por aí as suas vidas mas, também, por pessoas como você próprio que, usando as armas que tem (neste caso a net) não se resigna e ajuda nessa luta que nunca deve parar e cujo objectivo passa por não deixar-mos morrer estes pedaços que ttambém fazem parte do país onde crescemos e vivemos.
Um abraço.
Celestino chaves


De ANDARILHUS a 14 de Janeiro de 2009 às 17:35
Olá Fredo!
Antes de mais, um excelente ano de 2009!

Pois é, uma morte lenta de uma comunidade, de um modo de vida, da tradição... e pelos vistos, existe o risco de tudo se perder, até a memória.
E nós somos a geração que ainda teve o privilégio de saborear, com todos os sentidos, os resquícios de bons tempos, de outras realidades que, apesar de duras, eram bem mais saudáveis e humanas.
Somos também a geração que amarga com a visão do resultado das sequelas que os novos tempos imprimiram à população e às localidades abandonadas pelos políticos, pelos intelectuais, pelos gestores e, em consequência, pelos seus filhos, forçados a demandar novas paragens…
Resta-nos, pelo menos, continuar a falar nisto e não deixar a centelha apagar-se em definitivo.

Grande abraço,
Jorge


De AJREIS a 16 de Janeiro de 2009 às 23:53
Olá grande Jorge!
Um excelente ano 2009 também para ti.
de facto é triste, para não dizer lamentável. Ver a juventude deste País a dar o seu contributo a outros Países que não o nosso. Quem sabe se um dia nada se perderá e tudo se transforme! Vamos ter esperança, porque esta é a última a morrer.


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